António Pedro

António Pedro

 

António Pedro da Costa (Cidade da Praia, 9 de Dezembro de 1909 — Moledo, Caminha, 17 de Agosto de 1966) foi um encenador, escritor e artista plástico português.
Frequentou o Instituto Nuno Álvares, da Companhia de Jesus, em La Guardia, após o que ingressou na Universidade de Lisboa, tendo frequentado a Faculdade de Direito e a Faculdade de Letras, não concluíndo nenhum dos cursos. Foi para Paris, onde chegou a estudar no Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Sorbonne.
Com uma forte ligação ao teatro, foi director do Teatro Apolo (Lisboa) em 1949 e director, figurinista e encenador do Teatro Experimental do Porto entre 1953 e 1961. Entre 1944 e 1945, foi crítico de arte e cronista da BBC em Londres.
Percursor do movimento surrealista português, na década de 1940, ao lado de Mário Cesariny, integrou a I Exposição Surrealista em Lisboa.
Viveu os últimos anos em Moledo, uma praia junto a Caminha.
Grande parte da sua obra como pintor perdeu-se aquando dum incêndio no seu atelier.
Obras Poéticas do autor: Ledo Encanto (1927); Distância (1928); Devagar (1929); Máquina de Vidro (1931); Primeiro Volume (1936).
Outras Obras: Desimaginação (1937); Teatro (1947); Andam Ladrões cá em Casa (1950); Pequeno Tratado de Encenação (1962); Teatro completo (1981).

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Maresia

Alfredo García Revuelta

Alfredo García Revuelta

 

Neste mar à minha frente
O sol repousa e os nossos olhos dormem...


- Caem saudades mortas como chuva miúda,
Ou sobem, trémulas, como o vapor das algas,
Ou ficam, extáticas como um bafo da areia,
Calmas, sobre a paisagem,
Como um véu de cambraia deixado...

 

Não sei se é o calor das algas,
Se é o bafo da areia que baila,
Ou se é a chuva miúda que cai neste dia de sol
Como um véu de cambraia deixado,

 

Sei que me lembram os signos do zodíaco
Em boa caligrafia,
Uns signos como nem sequer eu tinha imaginado!...

 

E este calor que dimana da terra e nos confunde com ela,
Nos aquece as pernas de encontro à areia, numa vida exterior
Com mais sangue que a nossa e, sobretudo, cheia
Duma inconsciencia que se não parece com nada,
Esta respiração pausada como as ondas, de trás para diante
fazendo, lentas, e desfazendo
A mesma curva humaníssima e sensível,
Faz-me escrever, devagar, e com letras de menino pequeno
Sobre o chão acamado, esta palavra.


AMOR.

in «Rosa do Mundo»,
2001 Poemas para o Futuro,
Lisboa: Assírio & Alvim, 2001

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