Joana Serrado

Joana Serrado  

Joana Serrado  (Aveiro, 1979) é uma escritora portuguesa.
Viveu em Aveiro, Porto de Mós, Vale de Cambra, Vila Flor, Figueira da Foz, Santa Cruz (Madeira), São João da Madeira, Coimbra, Hilversum (Países Baixos), Berlim, Porto, Lisboa, e, actualmente, reside em Groningen (Paises Baixos).
Licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra, tirou o mestrado em filosofia medieval no Gabinete de Filosofia Medieval da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP),com a tese "Minen: Varen: Verwandelen. Três Verbos Místicos em Hadewijch de Antuérpia".
Actualmente é doutoranda na Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas na Universidade de Groningen (Países Baixos). Em Dezembro de 2007 ganhou uma bolsa artística holandesa Hendrik de Vries Stipendium para publicar a sua segunda obra, escrita em portugues e neerlandes, intitulada Emparedada; Uit de Muur, Uitgeverij de Passage, 2009.

É Autora de "Tratado de Botânica " (Edições Quasi, 2006), título vencedor da Menção honrosa Prémio de Poesia Daniel Faria institituido pelos Herdeiros de Daniel Faria, Edições Quasi e Câmara Municipal de Penafiel e "Emparedada/ Uit de Muur. Een Gedichtencyclus" , (Groningen, Passage, 2009).  Participou na antogia «Os Dias do Amor» organização de Inês Ramos, 2009.

Origem:Wikipédia

Os Estatutos do Amor

LUISA NOGUEIRA, o Murmurio dos Mares de Cristal, óleo s/ tela, 2004

Luísa Nogueira, Mumúrio dos Mares de Cristal, 2004
Movimento de Arte Contemporânea

 

1. (Direito a possibilidade)

Que todo o abraço seja contundente como o teu olhar.

Que todo o olhar seja emergente como a tua palavra.

Que toda a palavra seja tão urgente como a tua mão
nos meus cabelos.


2. (Direito ao Espaço e ao Tempo)

Que haja tempo em bloco e não ruptura de tempo.

Que minha ilha seja teu porto e teu porto nos seja santo.

Que a comunhão se faça tanto no beijo como no silêncio.


3. (Direito a Fecundidade)

Que do teu umbigo nasçam flores com seiva de primavera.

Que eu possa viver do seu perfumme a sobreviver a sua acidez sem as desflorar.

Que o prazer não precise de extrema-unção mas que a unção do prazer seja
extrema.


4. (Direito a perfeição)

Que a palavra 'amor' nunca seja proferida em vão.

Que o amor venha já feito, perfeito e não por fazer.
 


(inédito)
(Prémio Agostino Gomes 2006)

in «Os Dias do Amor», pág. 399 
Recolha, Sel. e Org. de Inês Ramos,
Ministério dos Livros Editores, 2009

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