Biografia não disponível
Biografia não disponível
Alcides Baião, Norte
Na ponte do silêncio
penso o nome teu
tantas
mil vezes tantas
decorado
No coração da noite
da noite das trevas
onde habito
o teu rosto emerge
grave silencioso
torturado
Tua boca em grito
teus seios em chama
teu peito ulcerado é
o orgasmo a sombra o sangue
o cadáver no corpo
que voga no corpo
que voga no rio
no rio da noite
no riso da noite
da alucinação
F a exaustão
do teu corpo exausto é
a máscara o clown
a senha
o oceano fechado
o oceano branco
fechado e branco
destas paredes
Voam lilases
no vestido teu
e um pássaro morre
de encontro aos teus cabelos
- quem vive?
eis a pergunta urgente
urgente patética
necessária
Sobrevives
- eu? sobrevivo
sobreviverei ainda
de encontro aos teus lilases
in «Poesia 71»,
Porto: Editorial Nova, 1972
Publicado em «Vértice»