FERNANDO PINTO RIBEIRO

 

Fernando Pinto Ribeiro (1928 - Feveiro de 2009) nasceu  na Guarda, onde viveu e estudou. 
Ao 17 anos vem para Lisboa após completar o Curso Liceal, inscrevendo-se na Faculdade de Direito, cujo curso não chegou a completar. Já em jovem começa a rimar as palavras, nunca deixando de escrever quadras soltas, tendo aos catorze anos escrito, o seu primeiro soneto a que dá o título de "Soneto dos 15 Anos". Já em Lisboa, prepara a publicação do seu livro O Cisne Submerso, que inclui poemas dispersos em consagradas páginas literárias de jornais e revistas.
Colaborou nas Revistas Flama , Panorama, Páginas Literárias, em Jornais, como Diário de Notícia, Diário Ilustrado e em vários jornais regionais, tendo também sido publicados no Brasil alguns poemas de sua autoria.


Dirigiu, com Eduíno de Jesus e J. M. Pereira Miguel, sob orientação artística de Artur Bual, a revista de Letras e Artes Contravento. Organizou com Alba de Castro, entre 1967 e 1983, as Pastinhas de Poesia, publicadas anualmente na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra. Participou em múltiplas Colectâneas.

Foi cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE)
 

 

Resumo de várias leituras da biografia do autor

Cilício

Emilio Bonet Casanova

 

a Inês Ramos


amar
sem louca nem pecado.
beijar com as asas
soerguidas
num voo orientado
através de trincheiras sucessivas.
não mais ficar parado
na curva do prazer
(hão-de explodir um dia em vão as feridas
do laço em que te abraço a Lúcifer).
tenha o desejo fugido à nostalgia
da amarra no cais ultrapassado
e viva nas marés do dia-a-dia
rendido
à  viril filosofia
da onda que vai vem contra o rochedo.
guardar
a seiva do segredo
e o pólen da pele
nos lábios túmidos
hoje e sempre
fiel
alvejo heróico
mortal e permanente
em que te aguardo
em que me encontre
frontal   total
e eternamente.

 

in «Os Dias do Amor»,
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