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    <title>listapoesiasdeamor</title>
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    <title>Selecção de Poesias de Amor de Poetas Portugueses - Lista I</title>
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<published>2009-02-05T19:31:53Z</published>
    <updated>2009-02-14T21:24:58Z</updated>
    <summary><![CDATA[Jack Vettriano, Lazy Hazy Days&nbsp;&nbsp;Para ler as poesias de um determinado Poeta,&nbsp;por favor,&nbsp;seleccione o&nbsp;nome do mesmo no &Iacute;ndice alfab&eacute;tico de Poetas, dispon&iacute;vel na&nbsp;P&aacute;gina M&atilde;e de Poetas Apaixonados....]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img height="350" alt="" width="311" border="0" src="http://imagensnescritas3.com.sapo.pt/Jack-Vettriano_Lazy-Hazy-Days.jpg" /><br /><b>Jack Vettriano</b>, Lazy Hazy Days&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px; text-align: justify">Para ler as poesias de um determinado Poeta,&nbsp;por favor,&nbsp;seleccione o&nbsp;nome do mesmo no &Iacute;ndice alfab&eacute;tico de Poetas, dispon&iacute;vel na&nbsp;<a href="http://nescritas.com/poetasapaixonados/">P&aacute;gina M&atilde;e de Poetas Apaixonados</a>.</p>]]>
        
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    <title>BERNARDIM RIBEIRO</title>
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<published>1984-11-30T19:13:23Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:16:33Z</updated>
    <summary><![CDATA[&nbsp;&nbsp;Bernardim Ribeiro (1480/1500 &ndash; 1530-1545) ter&aacute; nascido na vila de Torr&atilde;o, Alentejo em data incerta e, segundo alguns autores, ter&aacute; visitado a It&aacute;lia na companhia de S&aacute; de Miranda. Chegaram at&eacute; n&oacute;s cinco &eacute;clogas e a novela Saudade, mais conhecida...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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    <category term="bernardimribeiro" label="Bernardim Ribeiro" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#tag" />
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        <![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;</p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px"><b>Bernardim Ribeiro </b>(1480/1500 &ndash; 1530-1545) ter&aacute; nascido na vila de Torr&atilde;o, Alentejo em data incerta e, segundo alguns autores, ter&aacute; visitado a It&aacute;lia na companhia de S&aacute; de Miranda. Chegaram at&eacute; n&oacute;s cinco &eacute;clogas e a novela <b><i>Saudade</i></b>, mais conhecida por <b><i>Menina e Mo&ccedil;a</i></b>. Algumas das suas posias foram inseridas no <b><i>Cancioneiro Geral</i></b> de Garcia de Resende. &Eacute;-lhe atribu&iacute;da por alguns a autoria da &eacute;cloga <b><i>Crisfal</i></b>, assinada por Crist&oacute;v&atilde;o Falc&atilde;o. Os temas das suas obras andam &agrave; volta da infelicidade amorosa.&nbsp;</p><p style="text-align: right">Origem: <b><a target="_blank" href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/ribeiro.htm">Projecto Vercial</a></b></p><p style="text-align: left; margin-left: 40px"><a href="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/1984/11/">Ler Poesias de Amor de Bernardim Ribeiro -&raquo;</a></p>]]>
        
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    <title>Écloga de Jano e Franco (excerto)</title>
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<published>1984-11-03T17:19:54Z</published>
    <updated>2009-11-13T18:10:01Z</updated>
    <summary><![CDATA[&nbsp;Fran&ccedil;ois Boucher, An Autumn Pastoral - WGA&nbsp;Dizem que havia um pastorantre Tejo e Odiana,que era perdido de amorper &uuml;a mo&ccedil;a Joana.Joana patas guardavapela ribeira do Tejo,seu pai acerca moravae o pastor, de Alentejoera, e Jano se chamava.Quando as fomes grandes...]]></summary>
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     <name>Paula Matos</name>
        
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    <category term="Éclogadejanoefranco" label="Écloga de Jano e Franco" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#tag" />
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><span style="display: inline" class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img style="text-align: center; margin: 0px auto 20px; display: block" class="mt-image-center" alt="Fran&ccedil;ois Boucher (1703-1770), An Autumn Pastoral - WGA" width="268" height="350" src="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/imagens/An_Autumn_Pastoral_WGA.jpg" /></span>&nbsp;<b>Fran&ccedil;ois Boucher</b>, An Autumn Pastoral - WGA</p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px"><br /><br />Dizem que havia um pastor<br />antre Tejo e Odiana,<br />que era perdido de amor<br />per &uuml;a mo&ccedil;a Joana.<br />Joana patas guardava<br />pela ribeira do Tejo,<br />seu pai acerca morava<br />e o pastor, de Alentejo<br />era, e Jano se chamava.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Quando as fomes grandes foram,<br />que Alentejo foi perdido,<br />da aldeia que chamam o Terr&atilde;o<br />foi este pastor fugido.<br />Levava um pouco de gado,<br />que lhe ficou doutro muito<br />que lhe morreu de cansado;<br />que Alentejo era enxuito<br />d'&aacute;gua e mui seco de prado.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Toda terra foi perdida;<br />no campo do Tejo s&oacute;<br />achava o gado guarida:<br />ver Alentejo era um d&oacute;!<br />E Jano, pera salvar<br />o gado que lhe ficou,<br />foi esta terra buscar;<br />e, se um cuidado levou,<br />outro foi ele l&aacute; achar.</p><p style="margin-left: 40px"><br />O dia que ali chegou<br />com seu gado e com seu fato,<br />com tudo se agasalhou<br />em &uuml;a bicada de um mato.<br />E levando-o a pascer,<br />o outro dia, &agrave; ribeira,<br />Joana acertou de ir ver,<br />que se andava pela beira<br />do Tejo a flores colher.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Vestido branco trazia,<br />um pouco afrontada andava;<br />fermosa bem parecia<br />aos olhos de quem na olhava.<br />Jano, em vendo-a, foi pasmado;<br />mas, por ver que ela fazia,<br />escondeu-se antre um prado:<br />Joana flores colhia,<br />Jano colhia cuidado.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Depois que ela teve as flores<br />j&aacute; colhidas, e escolhidas<br />as desvairadas cores,<br />com rosas entremetidas,<br />fez delas &uuml;a capela,<br />e soltou os seus cabelos,<br />que eram t&atilde;o longos como ela:<br />e de cada um a Jano em v&ecirc;-los,<br />lhe nacia &uuml;a querela.</p><p style="margin-left: 40px"><br />E enquanto aquisto fazia<br />Joana, o seu gado andava<br />por dentro da &aacute;gua fria,<br />todo ap&oacute;s quem o guiava.<br />Um pato grande era a guia;<br />e todo junto em carreira,<br />ora rio acima ia,<br />ora, em a mesma maneira,<br />o rio abaixo descia.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Joana, como assentou<br />a capela, foi com a m&atilde;o<br />&agrave; cabe&ccedil;a, e atentou<br />se estava em boa fei&ccedil;&atilde;o.<br />N&atilde;o ficando satisfeita<br />do que da m&atilde;o presumia,<br />partiu-se dali direita<br />para onde o ria fazia<br />d'&aacute;gua &uuml;a mansa colheita.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Chegando &agrave; beira do rio,<br />as patas logo vierom<br />todas &uuml;a e &uuml;a, em fio,<br />que toda a &aacute;gua moverom.<br />De quanto ela j&aacute; folgou<br />com aquestes gasalhados,<br />tanto entonces lhe pesou,<br />e com pedras e com brados<br />dali longe as enxotou.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Depois que elas foram idas<br />e que a &aacute;gua assossegou,<br />Joana, as abas erguidas,<br />entrar pel'&aacute;gua ordenou;<br />e assentando-se, ent&atilde;o,<br />as sapatas descal&ccedil;ou,<br />e, pondo-as sobre o ch&atilde;o,<br />por dentro d'&aacute;gua entrou<br />e a Jano pelo cora&ccedil;&atilde;o.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Em quanto, com passos quedos,<br />Joana pela &aacute;gua ia,<br />antre uns desejos e medos,<br />Jano, onde estava, ardia;<br />n&atilde;o sabia se falasse,<br />se sa&iacute;sse, se estivesse:<br />que o amor mandava que ousasse,<br />e, por que a n&atilde;o perdesse,<br />fazia que arreceasse.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Dizem que, naquesto meio,<br />se esteve Joana oulhando;<br />e, descobrindo o seu seio,<br />oulhou-se, e dixe, um ai dando:<br />&quot;Eu guardo patas, coitada,<br />n&atilde;o sei onde isto h&aacute; d'ir ter,<br />mais era eu pera guardada.<br />Que concerto foi este: ser<br />fermosa e mal empregada!&quot;</p><p style="margin-left: 40px"><br />Em aquisto Jano ouvindo,<br />n&atilde;o se p&ocirc;de em si sofrer,<br />que d'antre as ervas saindo,<br />se n&atilde;o lan&ccedil;asse a correr.<br />Joana, quando sentiu<br />os estrompidos de Jano,<br />e que se virou e o viu,<br />temor do presente dano<br />lhe deu p&eacute;s com que fugiu.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Mui perto estava o casal<br />onde vivia o pai dela,<br />que fez ir mais longe o mal,<br />que Jano teve de v&ecirc;-la;<br />Mas o medo que causou<br />Joana partir-se assi,<br />tanto as m&atilde;os lhe embara&ccedil;ou,<br />que a sapata esquerda, ali,<br />com a pressa lhe ficou.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Jano, quando viu e oulhou<br />que nenhum rem&eacute;dio havia,<br />pera o lugar se tornou<br />aonde ela n'&aacute;gua se via.<br />E vendo a sapata estar<br />no areal, &agrave; beira de &aacute;gua,<br />foi-a correndo abra&ccedil;ar.<br />Tomando-a, cresceu-lhe a m&aacute;goa,<br />e come&ccedil;ou de chorar.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Toda a sapata e os peitos<br />em l&aacute;grimas se banharom;<br />muitos foram os respeitos<br />que tanto choro causarom.<br />Encostado ao seu cajado,<br />a sapata na outra m&atilde;o,<br />despois de um longo cuidado,<br />de dentro do cora&ccedil;&atilde;o<br />come&ccedil;ou falar, cansado:</p><p style="margin-left: 40px"><br />&quot;Despojo da mais fermosa<br />cousa que viram meus olhos,<br />pera eles sois &uuml;a rosa,<br />e pera o cora&ccedil;&atilde;o abrolhos.<br />Sapata, deixada aqui,<br />pera mal de outro mor mal,<br />quem te leixou, leva a mi:<br />que troca tam desigual!<br />Mas, pois assi &eacute;, seja assi.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Agora hei vinte e um anos,<br />e nunca inda t&eacute; agora<br />me acorda de sentir danos,<br />os deste meu gado em fora;<br />e hoje, per caso estranho,<br />(n&atilde;o sei em que hora aqui vim)<br />cobrei cuidado tamanho,<br />que aos outros todos p&ocirc;s fim;<br />eu mesmo a mim mesmo estranho.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Antes que este mal viesse,<br />que me tantos vai mostrando,<br />qye alguns cuidados tivesse,<br />n&atilde;o me matavam, cuidando.<br />Agora, por meus pecados,<br />e segundo em mim vou vendo,<br />n&atilde;o podem ser outros fados;<br />meus cuidados n&atilde;o entendo<br />e moiro-me assi de cuidados.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Dentro do meu pensamento<br />h&aacute; tanta contrariedade,<br />que sento contra o que sento<br />vontade e contra vontade;<br />estou em tanto desvairo,<br />que n&atilde;o me entendo comigo.<br />Donde esperarei repairo?<br />- que vejo grande o perigo<br />e muito mor o contrairo.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Quem me trouxe a esta terra<br />alheia, onde guardada<br />me estava tamanha guerra<br />e a esperan&ccedil;a levada?<br />Comigo me estou espantando<br />como em tam pouco me dei;<br />mas cuidando nisto estando,<br />os olhos com que outrem olhei<br />de mim se estavam vingando.</p><p style="margin-left: 40px"><br />E por meu mal ser mor, inda<br />de mim tenho o agravo mor:<br />que da minha m&aacute;goa infinda<br />eu fui parte e causador;<br />que, se me n&atilde;o alevantara<br />d'antre as ervas onde estava,<br />mais dos meus olhos gozara...<br />E, j&aacute; que assi se ordenava,<br />isto ao menos me ficara.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Desastres, cuidava eu j&aacute;,<br />quando eu ontem aqui cheguei,<br />que a v&oacute;s e &agrave; ventura m&aacute;<br />ambos acabava - e errei!<br />Triste, que me parecia<br />que, o meu gado remediado,<br />comigo bem m'haveria!<br />E estava-me ordenado<br />estoutro mal que ainda havia!</p><p style="margin-left: 40px"><br />&Oacute; mal! n&atilde;o vos sabe a v&oacute;s<br />quem me vos a mim causou!<br />Tristes dos meus olhos s&oacute;s,<br />que trouverom, aonde estou,<br />olhos, a certo lugar -<br />ribeira mor das ribeiras<br />que levam as &aacute;guas ao mar -<br />v&oacute;s me sereis verdadeiras<br />testemunhas do pesar.</p><p style="margin-left: 40px"><br />E em dizendo isto, parece,<br />trasportou-se no seu mal;<br />e como a quem o ar falece<br />caiu naquele areal.</p><p style="margin-left: 40px">(...)</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="text-align: right">in &laquo;<b>&Eacute;cloga de Jano e Franco&raquo;</b></p>]]>
        
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    <title>Lembre-vos quão sem mudança</title>
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<published>1984-11-02T21:40:02Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:17:40Z</updated>
    <summary><![CDATA[Antonio del Pollaiuolo,&nbsp;Portrait of&nbsp;a Young Woman, 1465&nbsp;&nbsp;Lembre-vos qu&atilde;o sem mudan&ccedil;a,Senhora, &eacute; meu querer,perdida toda esperan&ccedil;a;e de mim vossa lembran&ccedil;anunca se pode perder.Lembre-vos qu&atilde;o sem por qu&ecirc;desconhecido me vejo;e, com tudo, minha f&eacute;sempre com vossa merc&ecirc;,com mais crecido desejo.&nbsp;Lembre-vos que se...]]></summary>
    <author>
     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><span style="display: inline" class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img style="text-align: center; margin: 0px auto 20px; display: block" class="mt-image-center" alt="" width="234" height="350" src="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/imagens/POLLAIUOLO_Antonio_del_Portrait_Of_A_Young_Woman_1465.jpg" /></span><b>Antonio del Pollaiuolo</b>,&nbsp;<br />Portrait of&nbsp;a Young Woman, 1465<br />&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos qu&atilde;o sem mudan&ccedil;a,<br />Senhora, &eacute; meu querer,<br />perdida toda esperan&ccedil;a;<br />e de mim vossa lembran&ccedil;a<br />nunca se pode perder.<br />Lembre-vos qu&atilde;o sem por qu&ecirc;<br />desconhecido me vejo;<br />e, com tudo, minha f&eacute;<br />sempre com vossa merc&ecirc;,<br />com mais crecido desejo.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos que se passaram<br />muitos tempos, muitos dias,<br />todos meus bens se acabaram,<br />com tudo, nunca mudaram;<br />querer-vos, minhas porfias.<br />Lembre-vos quanta rez&atilde;o<br />tive pera esquecer-vos,<br />e sempre meu cora&ccedil;&atilde;o,<br />quanto menos galard&atilde;o,<br />tanto mais firme em querer-vos.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos que, sem mudar<br />o querer desta vontade,<br />me haveis sempre de lembrar,<br />t&eacute; de todo me acabar,<br />v&oacute;s e vossa saudade.<br />Lembre-vos como pagais<br />o tempo que me deveis,<br />olhai qu&atilde;o mal me tratais:<br />Sam o que vos quero mais,<br />o que menos v&oacute;s quereis.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos tempo passado,<br />n&atilde;o porque de lembrar seja,<br />mas vereis qu&atilde;o magoado<br />devo de ser c&rsquo;o cuidado<br />do que minha alma deseja.<br />Lembre-vos minha firmeza,<br />de v&oacute;s t&atilde;o desconhecida,<br />lembre-vos vossa crueza,<br />junta com minha tristeza,<br />que nunca foi merecida.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos que se quis&eacute;reis,<br />assi como consentistes<br />nestes meus males, fiz&eacute;reis<br />com o menos que pud&eacute;reis<br />n&atilde;o serem meus dias tristes.<br />Lembre-vos qu&atilde;o mal tratado<br />lembran&ccedil;as vossas me trazem;<br />eu sempre menos mudado,<br />quando mais desesperado<br />vossas mostran&ccedil;as me fazem.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos a qu&atilde;o m&aacute; vida<br />tenho, por bem vos querer;<br />esta dor faz mais crecida<br />n&atilde;o vos ver arrependida<br />de mo assi desconhecer.<br />Lembre-vos, minha senhora,<br />que, por j&aacute; me verdes vosso,<br />mostrais que vos desnamora<br />procurar ver-vos cada hora,<br />o que eu escusar n&atilde;o posso.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Lembre-vos que nem por isso<br />minha f&eacute; vereis mudada,<br />o que est&aacute; craro e bem visto,<br />pois cousas mores naquisto<br />tiveram for&ccedil;as de nada.<br />Lembre-vos que outra merc&ecirc;<br />de mim nunca foi pedida,<br />sen&atilde;o s&oacute; que minha f&eacute;,<br />pois tinha causa por qu&ecirc;,<br />fosse de v&oacute;s conhecida.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Nestes dias dezimados,<br />lembre-vos com quanta pena<br />h&atilde;o-de viver meus cuidados,<br />sendo j&aacute; desesperados,<br />vendo que nada os condena.<br />Lembre-vos que vida tal<br />nunca vo-la mereci;<br />olhai bem em quanto mal<br />me pagais o ser leal<br />c&rsquo;o tempo que vos servi.<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="text-align: right; margin-left: 40px">in &laquo;<b>Os Dias do Amor</b>&raquo; por In&ecirc;s Ramos<br />ver ref.s em Livros de Apoio</p>]]>
        
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    <title>Romance de Avalor</title>
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<published>1984-11-01T19:07:38Z</published>
    <updated>2009-11-13T18:11:17Z</updated>
    <summary><![CDATA[Adolphe Monticelli (1824-1886), Italian Fishing Vessels At Dusk&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pola ribeira dum rioque leva as aguoas ao marvai o triste de Avalor;nam sabe se ha de tornar,&nbsp;as aguoas levam seu bem!elle leva o seu pezarsoo vai e sem companhia,que hos seus fora...]]></summary>
    <author>
     <name>nEscritas</name>
        
    </author> 
    
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    <category term="cancioneirogeraldegarciaderesende" label="Cancioneiro Geral de Garcia de Resende" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#tag" />
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="350" height="248" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Monticelli_Adolphe_Joseph_Thomas_Italian_Fishing_Vessels_At_Dusk.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Adolphe Monticelli (1824-1886)</b>, Italian Fishing Vessels At Dusk</span>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Pola ribeira dum rio<br />que leva as aguoas ao mar<br />vai o triste de Avalor;<br />nam sabe se ha de tornar,<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">as aguoas levam seu bem!<br />elle leva o seu pezar<br />soo vai e sem companhia,<br />que hos seus fora leixar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">que quem nam leva descanso,<br />descansa em soo caminhar<br />descontra onde hia a barca<br />se hia ho sol abaixar;<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">yndose abaixando ho sol<br />escore&ccedil;iasse ho aar;<br />tudo se fazia triste<br />quanto avia de ficar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">da barca levantam remos<br />e ao som do remar<br />come&ccedil;arom os remeiros<br />do barco este cantar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&laquo;que frias eram as aguoas!&raquo;<br />quem as averaa de passar?<br />dos outros barcos respondem:<br />&laquo;quem sabe que he bem amar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">e quem a vontade p&ocirc;s<br />onde a nam pode tirar&raquo;.<br />tras a barca ho levam olhos<br />quanto ho dia da lugar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">nam duram muito, que ho bem<br />nam pode muito durar:<br />vendo o sol posto, contra ele,<br />soltou os olhos ao chorar;<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">soltou redea a seu cavalo,<br />da beira do rio a andar:<br />e a noite era calada<br />pera mais ho maguoar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">ca ho compaso dos remos<br />era ho do seu sospirar:<br />querer contar suas maguoas<br />seria areas contar!<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">quanto mais se hiam alongando,<br />se hia alongando ho soar:<br />de seus ouvidos aos olhos<br />a tristeza foi ygualar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">assi como hia a cavallo<br />foi pela aguoa dentro entrar;<br />e dando hum longuo sospiro<br />ouvira longe falar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&laquo;onde me aguoas levam alma,<br />vam tambem o corpo levar&raquo;:<br />mas yndo assi por acerto<br />foi cum barco naguoa daar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">que estava amarrado&nbsp;&aacute;&nbsp; terra<br />e seu dono era a folgar:<br />salta assi como hia dentro<br />e foi a amarra cortar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">a corrente e a maree<br />acertaram-no ajudar:<br />nam sabem mais que foi dele<br />nem novas se podem achar:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">sospeitouse que era morto,<br />mas n&atilde;o he para afirmar!<br />que nam no embarcou ventura<br />para yso ho foo guardar<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">mas sam as aguoas do mar<br />de quem se pode fiar.<br />&nbsp;</p><p style="text-align: right">in &laquo;<b>366 Poemas que falam de amor</b>&raquo;,<br />Antol. org. por Vasco Gra&ccedil;a Moura, <br />Lisboa: Quetzal, 2003</p>]]>
        
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    <title>CORREIA GARÇÃO</title>
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<published>1984-10-31T19:05:16Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:23:47Z</updated>
    <summary><![CDATA[&nbsp;&nbsp;Pedro Ant&oacute;nio Correia Gar&ccedil;&atilde;o (1724-1772) nasceu em Lisboa. Frequentou o curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas teve de abandonar os estudos, tornando-se oficial de secretaria e redactor da Gazeta de Lisboa. &Eacute; considerado um dos mais importantes poetas...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px" align="justify"><b>Pedro Ant&oacute;nio Correia Gar&ccedil;&atilde;o</b> (1724-1772) nasceu em Lisboa. Frequentou o curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas teve de abandonar os estudos, tornando-se oficial de secretaria e redactor da <i>Gazeta de Lisboa</i>. &Eacute; considerado um dos mais importantes poetas neocl&aacute;ssicos da litratura portuguesa. Pertenceu &agrave; Arc&aacute;dia Lusitana, utilizando o pseud&oacute;nimo de Corydon Erimantheo. As suas poesias foram publicadas em 1778 num s&oacute; volume intitulado <i>Obras Po&eacute;ticas</i>. Escreveu duas com&eacute;dias: <i>Teatro Novo</i> e <i>Assembleia ou Partida</i>.&nbsp;</p><p style="text-align: right">Origem: <a target="_blank" href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/garcao.htm">Projecto Vercial</a></p><p style="text-align: left; margin-left: 40px"><a href="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/1984/10/">Ler Poesias de Amor de Correia Gar&ccedil;&atilde;o -&raquo;</a></p>]]>
        
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    <title>Soneto III</title>
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<published>1984-10-03T14:39:05Z</published>
    <updated>2009-10-16T14:54:27Z</updated>
    <summary><![CDATA[Francesco Hayez, Come Venere, 1830&nbsp;&nbsp;Em magnifica scena a fantasia,Entre fest&otilde;es de estrellas radiantes,Teus angelicos olhos triunfantes, Gentil Marilia me mostrou hum dia.&nbsp;O sol dos teus cabellos se esparsiaPor columnas, e frisos rutilantes;Aos pedestaes atados mil Amantes,Honesto riso suspirar fazia.Movendo longas...]]></summary>
    <author>
     <name>Paula Matos</name>
        
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        <![CDATA[<p><span style="display: inline" class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img style="text-align: center; margin: 0px auto 20px; display: block" class="mt-image-center" alt="Francesco Carlotta Chabert Hayez, Come Venere 1830" width="258" height="350" src="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/imagens/Hayez_Francesco_Carlotta_Chabert_come_venere_1830.jpg" /></span></p><p style="text-align: center"><b>Francesco Hayez</b>, Come Venere, 1830</p><p style="text-align: center">&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Em magnifica scena a fantasia,<br />Entre fest&otilde;es de estrellas radiantes,<br />Teus angelicos olhos triunfantes, <br />Gentil Marilia me mostrou hum dia.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">O sol dos teus cabellos se esparsia<br />Por columnas, e frisos rutilantes;<br />Aos pedestaes atados mil Amantes,<br />Honesto riso suspirar fazia.</p><p style="margin-left: 40px"><br />Movendo longas azas brandamente,<br />Voav&atilde;o Esperan&ccedil;as, e Desejos,<br />Co'as Gra&ccedil;as abra&ccedil;adas, e os Amores;</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Mas retinindo hum silvo, de repente<br />A cortina cahio; males sobejos!<br />S&oacute; m&aacute;goas vi depois, s&oacute; vi temores.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="text-align: right; margin-left: 40px">in &laquo;<b>Obras Poeticas</b>&raquo;</p>]]>
        
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    <title>Cantata de Dido</title>
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<published>1984-10-02T18:03:48Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:22:49Z</updated>
    <summary><![CDATA[Dido obsevando Eneias a Partir, Pintura a &oacute;leo de autor desconhecidoretirada daqui&nbsp;J&aacute; no roxo oriente branqueando,As prenhes velas da troiana frotaEntre as vagas azuis do mar douradoSobre as asas dos ventos se escondiam.A mis&eacute;rrima Dido, Pelos pa&ccedil;os reais vaga ululando,C'os...]]></summary>
    <author>
     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="384" height="300" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Dido.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Dido obsevando Eneias a Partir</b>, Pintura a &oacute;leo de autor desconhecido</span></p><p style="text-align: center"><span style="font-size: smaller">retirada <a target="_blank" href="http://www.templodeapolo.net/Mitologia/mitologia_grega/herois/mitologia_grega_herois_eneias.html">daqui</a></span></p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px"><br />J&aacute; no roxo oriente branqueando,<br />As prenhes velas da troiana frota<br />Entre as vagas azuis do mar dourado<br />Sobre as asas dos ventos se escondiam.<br />A mis&eacute;rrima Dido, <br />Pelos pa&ccedil;os reais vaga ululando,<br />C'os turvos olhos inda em v&atilde;o procura<br />O fugitivo Eneias.<br />S&oacute; ermas ruas, s&oacute; desertas pra&ccedil;as<br />A recente Cartago lhe apresenta;<br />Com medonho fragor, na praia nua<br />Fremem de noite as solit&aacute;rias ondas;<br />E nas douradas grimpas<br />Das c&uacute;pulas soberbas<br />Piam nocturnas, agoureiras aves.<br />Do marm&oacute;reo sepulcro<br />At&oacute;nita imagina<br />Que mil vezes ouviu as frias cinzas<br />De defunto Siqueu, com d&eacute;beis vozes,<br />Suspirando, chamar: &ndash; Elisa! Elisa!<br />D'Orco aos tremendos numens<br />Sacrif&iacute;cios prepara;<br />Mas viu esmorecida<br />Em torno dos tur&iacute;cremos altares,<br />Negra escuma ferver nas ricas ta&ccedil;as,<br />E o derramado vinho<br />Em p&eacute;lagos de sangue converter-se.<br />Fren&eacute;tica, delira,<br />P&aacute;lido o rosto lindo<br />A madeixa subtil desentran&ccedil;ada;<br />J&aacute; com tr&eacute;mulo p&eacute; entra sem tino<br />No ditoso aposento,<br />Onde do infido amante<br />Ouviu, enternecida,<br />Magoados suspiros, brandas queixas.<br />Ali as cru&eacute;is Parcas lhe mostraram<br />As il&iacute;acas roupas que, pendentes<br />Do t&aacute;lamo dourado, descobriam<br />O lustroso pav&ecirc;s, a teucra espada.<br />Com a convulsa m&atilde;o s&uacute;bito arranca<br />A l&acirc;mina fulgente da bainha,<br />E sobre o duro ferro penetrante<br />Arroja o tenro, cristalino peito;<br />E em borbot&otilde;es de espuma murmurando,<br />O quente sangue da ferida salta:<br />De roxas espadanas rociadas,<br />Tremem da sala as d&oacute;ricas colunas.<br />Tr&ecirc;s vezes tenta erguer-se,<br />Tr&ecirc;s vezes desmaiada, sobre o leito<br />O corpo revolvendo, ao c&eacute;u levanta<br />Os macerados olhos.<br />Despois, atenta na lustrosa malha<br />Do pr&oacute;fugo dard&acirc;nio,<br />Estas &uacute;ltimas vozes repetia,<br />E os lastimosos, l&uacute;gubres acentos,<br />Pelas &aacute;ureas ab&oacute;badas voando<br />Longo tempo depois gemer se ouviram:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&laquo;Doces despojos,<br />T&atilde;o bem logrados<br />Dos olhos meus,<br />Enquanto os fados,<br />Enquanto Deus<br />O consentiam,<br />Da triste Dido<br />A alma aceitai,<br />Destes cuidados<br />Me libertai.<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&laquo;Dido infelice<br />Assaz viveu;<br />D'alta Cartago<br />O muro ergueu;<br />Agora, nua,<br />J&aacute; de Caronte,<br />A sombra sua<br />Na barca feia,<br />De Flegetonte<br />A negra veia<br />Surcando vai.</p><p>&nbsp;</p><p style="text-align: right">&nbsp;in &laquo;<b>OBRAS PO&Eacute;TICAS</b>&raquo;<br />de: <a target="_blank" href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/garcao.htm">Projecto Vercial</a></p>]]>
        
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    <title>Queixas de Amor</title>
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<published>1984-10-01T18:01:31Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:22:26Z</updated>
    <summary><![CDATA[Hans Zatzka, The Goddess Of Spring&nbsp;De beijos um cestinho Amor enchia,E, depostos os duros passadores,Quais semeiam o trigo os lavradoresNum campo os semeou todos um dia.&nbsp;Da&iacute; a pouco com prazer se viaA seara fever toda em Amores,Que aos centos rebentavam...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="205" height="350" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Zatzka_Hans_The_Goddess_Of_Spring.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Hans Zatzka</b>, The Goddess Of Spring</span></p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">De beijos um cestinho Amor enchia,<br />E, depostos os duros passadores,<br />Quais semeiam o trigo os lavradores<br />Num campo os semeou todos um dia.<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Da&iacute; a pouco com prazer se via<br />A seara fever toda em Amores,<br />Que aos centos rebentavam entre as flores,<br />De que o travesso deus folgava e ria.<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Eu, que bem por acaso ali me achava,<br />Um deles colho, e sobre o peito o prendo,<br />Sem reecear o mal que me aguardava:<br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Pois as tenras ra&iacute;zes estendendo,<br />Pouco a pouco no cora&ccedil;&atilde;o mas crava<br />Donde novos Amores v&atilde;o nascendo.<br />&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="text-align: right"><b>Correia Gar&ccedil;&atilde;o</b>, in &laquo;<b>366 Poemas que Falam de Amor</b>&raquo;</p>]]>
        
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    <title>GONÇALO SALVADO</title>
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<published>1984-09-30T17:56:03Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:27:36Z</updated>
    <summary><![CDATA[&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gon&ccedil;alo Salvado, licenciado em Filosofia pela Universidade Cat&oacute;lica de Lisboa, tem vindo a afirmar-se como um poeta exclusivo do amor. Publicou tr&ecirc;s livros de poesia: Quando (Editora Amar Arte, Coimbra, 1996), com desenhos de Ribeiro Farinha e pref&aacute;cio de...]]></summary>
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        <![CDATA[<p style="text-align: justify">&nbsp;</p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px"><b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gon&ccedil;alo Salvado</b>, licenciado em Filosofia pela Universidade Cat&oacute;lica de Lisboa, tem vindo a afirmar-se como um poeta exclusivo do amor. Publicou tr&ecirc;s livros de poesia: <strong>Quando </strong>(Editora Amar Arte, Coimbra, 1996), com desenhos de Ribeiro Farinha e pref&aacute;cio de Peter Stilwell; <strong>Embriaguez</strong> (Editora Sirgo, Castelo Branco, 2001) e <strong>Iridesc&ecirc;ncias,</strong> em 2002, com ilustra&ccedil;&otilde;es de Ambr&oacute;sio Ferreira, na mesma editora.</p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px">...</p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px">&nbsp;Publicou ainda a antologia <strong>Cam&otilde;es Amor Somente</strong>, (edi&ccedil;&atilde;o da Caja Duero, Salamanca, Lisboa, 1999),&nbsp;com pref&aacute;cios de Jos&eacute; Miguel Santolaya e Silva e de Mendo Castro Henriques e desenhos de Ambr&oacute;sio Ferreira.</p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px">Em&nbsp;&nbsp;2004 publicou a antologia <strong>Cerejas - Poemas de Amor de Autores Portugueses Contempor&acirc;neos </strong>organizada em conjunto com&nbsp;&nbsp;&nbsp;Maria Jo&atilde;o Fernandes.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="text-align: right">Origem:&nbsp;excertos transcritos da biografia de Gon&ccedil;alo Salvado inclusa na antologia &laquo;<b>Cerejas&raquo;.</b></p><p style="text-align: left">&nbsp;</p><p style="text-align: left; margin-left: 40px"><a href="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/1984/09/">Ler Poesias de Amor de Gon&ccedil;alo Salvado -&raquo;</a></p>]]>
        
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    <title>Mulher</title>
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<published>1984-09-03T17:53:19Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:28:15Z</updated>
    <summary><![CDATA[Gon&ccedil;alo Salvado, Esplendor, 2004desenho s/ papel&nbsp;Mulher que escondes em teu corpoa alma secreta das paisagens,com o seu fluir de riose seus socalcos de pura d&aacute;diva e bondade.Hoje, meu cora&ccedil;&atilde;o, talvez te reveleque n&atilde;o ser&aacute;s, como ela, passageira.Qualquer coisa de ti...]]></summary>
    <author>
     <name>nEscritas</name>
        
    </author> 
    
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="247" height="350" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Goncalo-Salvado-Esplendor-2004.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Gon&ccedil;alo Salvado</b>, Esplendor, 2004</span><br /><span style="font-size: smaller">desenho s/ papel</span></p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Mulher que escondes em teu corpo<br />a alma secreta das paisagens,<br />com o seu fluir de rios<br />e seus socalcos de pura d&aacute;diva e bondade.<br />Hoje, meu cora&ccedil;&atilde;o, talvez te revele<br />que n&atilde;o ser&aacute;s, como ela, passageira.<br />Qualquer coisa de ti perdurar&aacute;<br />na verde folhagem destas &aacute;rvores<br />que vegetalmente te observam<br />e tua m&uacute;sica imitam.<br />Porque eu te amo &eacute;s eterna,<br />vives para al&eacute;m da invalidez do tempo,<br />&eacute;s p&oacute;len fecundante que o vento n&atilde;o sonega,<br />p&eacute;tala de lume a perfumar a brisa desta tarde,<br />Primavera que de ti pr&oacute;pria vi brotar.<br />E nos c&eacute;us antes &aacute;ridos entoam j&aacute; suaves sinos<br />anunciando que todos os dias ser&atilde;o agora teus,<br />s&oacute; porque os fizeste de seda para mim.&nbsp;<br />&nbsp;</p><p style="text-align: right">in&eacute;dito, in &laquo;<b>Cerejas</b>&raquo;<br /><span style="font-size: smaller">Poemas de Amor de </span><span style="font-size: smaller">Autores Portuguesses Contempor&acirc;neos, ver cr&eacute;ditos</span></p>]]>
        
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    <title>ESTE VENTO</title>
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<published>1984-09-02T17:51:44Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:29:00Z</updated>
    <summary><![CDATA[Gon&ccedil;alo Salvado, Jardim, 2004desenho s/ Papel&nbsp;&nbsp;Sem tisou apenas este ventoque investe contraas &aacute;rvorese as desfolha longamentemuito antes do outono.in &laquo;Vento / Viento&raquo;. Antologia de Poesia Ib&eacute;rica,Celya 2004&nbsp;&nbsp;...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="247" height="350" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Goncalo-Salvado-Jardim-2004.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Gon&ccedil;alo Salvado</b>, Jardim, 2004</span><br /><span style="font-size: smaller">desenho s/ Papel</span>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Sem ti<br />sou apenas este vento<br />que investe contra<br />as &aacute;rvores<br />e as desfolha longamente<br />muito antes do outono.</p><p style="text-align: right"><br /><br />in &laquo;<b>Vento</b> / <b>Viento&raquo;</b>. Antologia de Poesia Ib&eacute;rica,<br />Celya 2004&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]>
        
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    <title>Dá-me o puro cansaço após o amor</title>
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<published>1984-09-01T17:48:47Z</published>
    <updated>2009-09-13T22:29:27Z</updated>
    <summary><![CDATA[Gon&ccedil;alo Salvado, ClaridadeDesenho s/ Papel&nbsp;D&aacute;-me o puro cansa&ccedil;o ap&oacute;s o amor&agrave; fresca sombra da tarde.Agora que &eacute; ido o desejo, concede-teeste breve instante de paz e repousa.&nbsp;Toda a minha vida possui isto:uma boca a brilhar sozinha em meu peito.&nbsp;Mas a...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="248" height="350" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/Goncalo-Salvado-2.jpg" /><span style="font-size: smaller"><br /><b>Gon&ccedil;alo Salvado</b>, <strong>Claridade</strong></span><br /><span style="font-size: smaller"><strong>Desenho s/ Papel</strong></span></p><p style="text-align: center">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">D&aacute;-me o puro cansa&ccedil;o ap&oacute;s o amor<br />&agrave; fresca sombra da tarde.<br />Agora que &eacute; ido o desejo, concede-te<br />este breve instante de paz e repousa.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Toda a minha vida possui isto:<br />uma boca a brilhar sozinha em meu peito.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Mas a carne &eacute; sonho ao tocar-se nela,<br />ao senti-la fremente em nossos l&aacute;bios indefesos;<br />a carne &eacute; j&aacute; cinza, esquecimento,<br />frio desolador que se anuncia.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Por&eacute;m, v&ecirc; como arde a tua boca<br />negando o vazio que sempre perto nos aguarda;<br />v&ecirc; como arde o meu peito<br />com um resplendor que por ti jamais se apaga.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">&ldquo;Porqu&ecirc; beijar teus l&aacute;bios se se sabe que a morte<br />est&aacute; pr&oacute;xima, se se sabe que amar &eacute; esquecer<br />a vida apenas, fechar os olhos ao sombrio<br />presente para os abrir aos radiosos limites<br />de um corpo?&rdquo;</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Porqu&ecirc; respirar esta luz carnal frente ao curso<br />de um poderoso rio que cruelmente nos ignora<br />mas onde de s&uacute;bito uma gota de orvalho esplende<br />como uma l&aacute;grima nossa?</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">N&atilde;o, tamb&eacute;m eu n&atilde;o quero acreditar numa verdade<br />que nos livros se l&ecirc; como uma &aacute;gua,<br />tamb&eacute;m eu n&atilde;o posso aceitar essa futura agonia<br />que reduz a um &uacute;ltimo estertor<br />a c&aacute;lida juventude de um amado corpo.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Quero crer, oh sim, crer que a luz que das tuas m&atilde;os<br />se evola subsiste &agrave; melodia triste dessa &aacute;gua,<br />passageira, quero acreditar no talism&atilde; vermelho<br />que pulsa feliz<br />em meu peito enamorado s&oacute; porque o teu nome<br />fulgura nele como uma estrela obstinada,<br />nesses olhos que n&atilde;o s&atilde;o feridas mas apenas<br />frescas margens,<br />que me devolvem, cada dia, inc&oacute;lume,<br />o azul das ondas<br />que contra mim, mortais, embatem.&nbsp;</p><p style="text-align: right">in &laquo;<b>IRIDISC&Ecirc;NCIAS&raquo;</b>,<br />Sirgo, Castelo Branco, 2003</p>]]>
        
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    <title>ROSA ALICE BRANCO</title>
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<published>1984-08-31T17:45:59Z</published>
    <updated>2009-10-27T17:15:58Z</updated>
    <summary><![CDATA[Rosa Alice Branco (Aveiro, 1950).Doutorada em Filosofia do Conhecimento, pela Universidade Nova de Lisboa, ensina Psicologia da Percep&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;nea na Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. &Eacute; investigadora da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Arte...]]></summary>
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     <name>nEscritas</name>
        
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        <![CDATA[<p style="text-align: center"><img border="0" alt="" width="134" height="200" src="http://imagensnescritas6.no.sapo.pt/RosaAliceBranco.jpg" /></p><p style="text-align: center"><span style="font-size: smaller"><br /></span></p><p style="text-align: justify; margin-left: 40px"><b>Rosa Alice Branco </b>(Aveiro, 1950).<br />Doutorada em Filosofia do Conhecimento, pela Universidade Nova de Lisboa, ensina Psicologia da Percep&ccedil;&atilde;o e Cultura Contempor&acirc;nea na Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. &Eacute; investigadora da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Arte da Universidade de Aveiro.<br />Estreou-se em 1982 com o livro <em>A Mulher Amada</em>, seguindo-se, em 1988, <em>Animais da Terra</em>.&nbsp;O seu nome&nbsp;est&aacute; inclu&iacute;do em algumas antologias.<br />Em 2009, venceu o XVII Pr&eacute;mio de Poesia Espiral Maior com a obra <i>O Gado do Senhor</i> (Pr&eacute;mio que pretende promover a cria&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica nas &aacute;reas de express&atilde;o galego-portuguesa).<br /><br />Da sua poesia disse-nos Maria Irene Ramalho:&nbsp;</p><blockquote><p style="text-align: justify; margin-left: 40px">&quot;A leitura dos poemas de Rosa Alice Branco ensina-nos como &laquo;o sentido&raquo;, &laquo;a sensa&ccedil;&atilde;o&raquo;, &laquo;o sofrimento&raquo; se entrela&ccedil;am no poema para gerar o mundo percept&iacute;vel.&nbsp;&quot;</p></blockquote><p style="margin-left: 40px">&nbsp;Algumas obras:</p><p style="margin-left: 40px">Poesia: &nbsp;<em>A Mulher Amada</em> (1982);&nbsp; <i>Animais da Terra </i>(1988);&nbsp; <i>A M&atilde;o Feliz &ndash; poemas d(e)&iacute;cticos </i>(1994);&nbsp;&nbsp;<i>O &Uacute;nico Tra&ccedil;o do Pincel </i>(1997);&nbsp; <i>Da Alma e dos Esp&iacute;ritos Animais </i>(2001);&nbsp; Animal Vol&aacute;til (com Casimiro de Brito), ed. Afrontamento, Porto, 2002;&nbsp;&nbsp;<i>Soletrar o Dia</i>.&nbsp;<i>Obra Po&eacute;tica </i>(Edi&ccedil;&otilde;es Quasi,&nbsp; 2002).</p><p style="margin-left: 40px">Ensaio: O que Falta ao Mundo para Ser Quadro (1993);&nbsp; A Percep&ccedil;&atilde;o Visual em Berkeley (1998)</p><p style="text-align: right">Fontes: <a target="_blank" href="http://www.instituto-camoes.pt/cvc/poemasemana/33/escrita_poema3.html">Instituto Cam&otilde;es</a></p><p style="text-align: right"><a target="_blank" href="http://www.campo-letras.pt/autores/rosa_a_branco.html">Campo das Letras</a></p><p style="text-align: left; margin-left: 40px"><a href="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/1984/08/">Ler Poesias de Rosa Alice Branco -&raquo;</a></p>]]>
        
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    <title>A TUA PELE DESCALÇA </title>
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<published>1984-08-02T16:20:50Z</published>
    <updated>2009-10-27T17:28:43Z</updated>
    <summary><![CDATA[Armanda Passos, sem t&iacute;tulo&nbsp;Veio uma onda. A varrer o meu sono . Caminhava nele como caminho na areia. Nada me une ou divide. Nada me ret&eacute;m. Sentas-te onde me sento no teu colo e pe&ccedil;o sempre a mesma hist&oacute;ria.&nbsp; A...]]></summary>
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     <name>Paula Matos</name>
        
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        <![CDATA[<p><span style="display: inline" class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img style="text-align: center; margin: 0px auto 20px; display: block" class="mt-image-center" alt="Armanda Passos, sem t&iacute;tulo, &oacute;leo s tela" width="298" height="400" src="http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor/imagens/oleo%20s%20tela%20st.jpg" /></span></p><p style="text-align: center"><b>Armanda Passos</b>, sem t&iacute;tulo</p><p style="text-align: center"><br />&nbsp;</p><p style="margin-left: 40px">Veio uma onda. A varrer o meu sono . <br />Caminhava nele como caminho na areia. <br />Nada me une ou divide. Nada me ret&eacute;m. <br />Sentas-te onde me sento no teu colo <br />e pe&ccedil;o sempre a mesma hist&oacute;ria.&nbsp; A tua voz <br />cria as mem&oacute;rias que hei-de ter. Por agora <br />caminho ao longo das gaivotas e grito como elas <br />quando a mar&eacute; baixa. &nbsp;&Agrave;s vezes apoio-me num rochedo <br />para dizer &ldquo;casa&rdquo; e logo desmorono. Sigo descal&ccedil;a <br />como tu para dizer &ldquo;seguimos&quot;. Mas s&atilde;o apenas sons <br />sob o sol de maio. Murm&uacute;rios do que n&atilde;o serei. <br />Sempre tive problemas com o verbo ser. Fa&ccedil;o <br />e desfa&ccedil;o as malas, entro e saio das gavetas. <br />Pausa na camisa que vestiste da &uacute;ltima vez. <br />Uma vontade de a amarrotar, desapertar os bot&otilde;es <br />e sentir l&aacute; dentro a tua pele c&aacute; fora. <br />Tudo isto &eacute; t&atilde;o verdade como podem ser os bot&otilde;es <br />de uma camisa escrita. Confesso que n&atilde;o pensei na cor, <br />ou se era &agrave;s riscas. Agora acho que podia ser a de quadrados. <br />Em qualquer delas a tua pele entra na minha.</p><p style="margin-left: 40px">&nbsp;</p><p style="text-align: right; margin-left: 40px">in &laquo;<b>Soletrar o Dia. Obra Po&eacute;tica</b>&raquo; (1988-2002)<br />Famalic&atilde;o: Edi&ccedil;&otilde;es Quasi, 2002</p>]]>
        
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