MARIA AMÉLIA NETO
A Lira

Jia Lu
Uma luz sedosa como o vento de Maio,
Como o vento de Maio
Escorrendo levemente sobre a aurora,
O grito incontido
Rasgando a mais translúcida das folhas,
E tantos passos, tantos passos
Abafando a lira do exílio.
in «Cerejas»,
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Que sabes tu?

Corneille
Que sabes tu do mês de Março?
Que uma cerejeira decidiu morrer,
Coberta de orvalho, de pólen e de luz,
E tu e eu, sob as lâmpadas ferozes,
Dia a dia?
Uma Rosa adormeceu depois da Vida,
um Poeta morreu antes da Morte.
Viste sombras dançando sobre as dunas
E o vento fluindo rente às velas?
Viste casas sacudidas pelo fogo
E o ódio germinando na Cidade?
Viste o mármore chorar dia após dia -
O braço branco num perpétuo adeus?
Então, se uma acácia iluminar a noite,
Como deixarás de ver os bancos de coral?
in «Cerejas»,
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