RUI KNOPFLI



 

Rui Manuel Correia Knopfli (1932 - 1997) Nasceu em Inhambane, Moçambique, a 10 de Agosto de 1932 e fez os seus estudos na África do Sul. Poeta, jornalista, critico literário e de cinema, iniciou uma muito activa carreira na então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo. Deixou Moçambique em 1975, é de nacionalidade portuguesa com alma assumidamente africana. Tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas e publicou alguns livros. Desempenhou funções de adido cultural na Embaixada Portuguesa em Londres. Faleceu em Lisboa em 1997. 

Origem: Wikipédia

Ler Poesias de Amor de Rui Knopfli -»

Glosa de Amphiteu

Alcides Baião, Abraço

Alcides Baião, Abraço

 

A tarde que os envolve doira-os já
na luz do ocaso, distanciando-os
como se de longe os víssemos.
O corpo dela jaz inerte e dilacerado.


A ele esculpe-lhe a mágoa o rosto,
Há pouco outra luz dançara
lenta nos corpos enlaçados,
cintilante na saliva dos beijos,


esgueirando-se embaraçada e sinuosa
por recantos mais secretos.
Cristaliza sobre a folhagem um transido


silêncio a cada instante dilatado.
De olhar frio e coração emperdernido
fita-os um anjo mortífero e desolado.


in «Poesia 71»,
Porto: Editorial Nova, 1972

*Publicada em «Caliban»

TESTAMENTO


African Portrait
 

Se por acaso morrer durante o sono
não quero que te preocupes inutilmente.
Será apenas uma noite sucedendo-se
a outra noite interminavelmente.

Se a doença me tolher na cama
e a morte aí me for buscar,
beija Amor, com a força de quem ama,
estes olhos cansados, no último instante.

Se, pela triste monotonia do entardecer,
me encontrarem estendido e morto,
quero que me venhas ver
e tocar o frio e sangue do corpo.

Se, pelo contrário, morrer na guerra
e ficar perdido no gelo de qualquer Coreia,
quero que saibas, Amor, quero que saibas,
pelo cérebro rebentado, pela seca veia,

pela pólvora e pelas balas entranhadas
na dura carne gelada,
que morri sim, que me não repito,
mas que ecoo inteiro na força do meu grito.


in «366 poemas que falam de amor»,
Antol. org. por Vasco Graça Moura,
Lisboa: Quetzal, 2003

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