ÁLVARO FEIJÓ

Almada Negreiros
 

Álvaro Feijó, poeta nascido a 5 de Julho de 1916, em Viana do Castelo e falecido a 9 de Março de 1941, quando ainda não completara os vinte e cinco anos de idade. A sua obra poética, imbuída de um erotismo juvenil e de simbologias viradas para antigas vivências assume características revolucionárias, tendo sido publicada em revistas como: Sol Nascente, O Diabo, Altitude e Seara Nova e, postumamente, no Novo Cancioneiro.  

Origem: CITI

 

Ler Poesias de Amor de Álvaro Feijó -»

PÁLIDA E LOIRA


Wright of Derby (1734-1797),Virgil's Tomb

   

Morreu. Deitada no caixão estreito,
Pálida e loira, muito loira e fria,
O seu lábio tristíssimo sorria
Como num sonho virginal desfeito.

 

Lírio que murcha ao despontar do dia,
Foi descansar no derradeiro leito,
As mãos de neve erguidas sobre o peito,
Pálida e loira, muito loira e fria...

 

Tinha a cor da rainha das baladas
E das monjas antigas maceradas,
No pequenino esquife em que dormia...

 

Levou-a a morte na sua graça adunca!
E eu nunca mais pude esquece-la, nunca!
Pálida e loira, muito loira e fria...

 

in Líricas e Bucólicas, 1884

os dois sonetos de amor da hora triste I


Jacint Salvadó

 

 I

 

Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
Do que tu - não deixes fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E  ver-te-ás de corpo inteiro
 

Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo.
Eu, Marco Pólo,

Farei a nebulosa travessia
E o rastro da minha barca
Segui-lo-ás em pensamento. Abarca
 

Nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
Ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus. 

 

in «366 Poemas que Falam de Amor»

os dois sonetos de amor da hora triste II

Bert Christensen's CyberSpaceGallery: www.bertc.com
Lajos Gulácsy, Hungarian, 1882-1932
- Ecstasy

 

II

 

Não um adeus distante
Ou um adeus de quem não torna cá,
Nem espera tornar. Um adeus de até já,
Como a alguém que se espera a cada instante.

 

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
De novo para ti, no mesmo barco
Sem remos e sem velas, pelo charco
Azul do céu, cansado de lá estar.

 

E viverei sem ti como um eflúvio, uma recordação.
E não quero que chores para fora,
Amor, que tu bem sabes que quem chora

 

Assim, mente. E, se quiseres partir e o coração
To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino
Talvez na rota, Que nos importa, aos dois, ir sem destino? 

 

in «366 poemas que falam de amor»

«-Índice de Poetas Apaixonados
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