Leia a biografia de Luís Amaro escrita pelo próprio, em: Colóquio de Letras
Leia a biografia de Luís Amaro escrita pelo próprio, em: Colóquio de Letras
pintura de Evelina Oliveira
Imprecisa e grácil te imagino
Rasgando de esperança a noite enorme
E iluminando o coração soturno
Que mora, exilado, em mim.
Teu vulto vence a névoa do crepúsculo
e detém meus passos sem destino
A beira da noite hiante e pálida
Com, lá no fundo, a minha imagem
Desfigurada e triste, arrependida...
E tua lembrança é o perdão, a luz,
A vida que desponta nas raízes
Mais íntimas do ser.
Vens, irreal e presente, ao meu encontro,
Cabelos soltos ao vento da manhã,
E dos teus lábios desprende-se a Palavra...
Flui de teus olhos a música das fontes!
in «Poesia 71»,
Porto: Editorial Nova, 1972
Publicada no suplemento do Diário de Notícias, «Artes e Letras»

© Anakin Sk
Um silêncio, um olhar uma palavra:
Nasceste assim na minha vida,
Inesperada flor de aroma denso
Tão casual e breve...
Jé te visionara no meu sonho,
Imagem de segredo esparsa ao vento
Da noite rubra, delicada, intacta.
E pressentira teu hálito na sombra
Que minhas mãos desenham, inquietas.
Existias em mim... O teu olhar
Onde cintila, pura, a madrugada,
Guardara-o no meu peito, ó invisivel,
Flutuante apelo das raízes
Que teimam em prender-te, minha vida!
in «366 poemas que falam de amor»