MANUEL ANTÓNIO PINA

Manuel António Pina

 

Manuel António Pina nasceu em Sabugal (Beira Alta/Portugal) em 1943.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.
Jornalista, entre 1971 e 2001, do Jornal de Notícias, onde foi Editor e Chefe de Redacção. Colaboração em numerosos outros órgãos de Comunicação Social: República, Diário de Lisboa, o jornal, Expresso, JL/ Jornal de Letras, Artes e Ideias", Marie Claire, Visão, Rádio Porto, RTP, Península (Barcelona)... Foi professor da Escola Superior de Jornalismo do Porto e membro do Conselho de Imprensa. É actualmente colunista da revista Visão.
É autor, entre outras, de mais de três dezenas de obras de poesia, crónica, ensaio e literatura infantil e ainda de duas dezenas de peças de teatro. Obras suas foram levadas ao cinema, TV e BD, bem como musicadas e editadas em disco. 

(...) 

Origem: Edições ASA

Ler Poesias de Amor de Manuel António Pina -»

Café do molhe

Joanna Kustra

© Joanna Kustra

 

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

 

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

 

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

 

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

 

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

 

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

 

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.
 

in «366 poemas que falam de amor» ,
Antologia organizada por Vasco Graça Moura

Completas

A-Hunt

© A Hunt

 

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

 

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

 

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos domónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

 
 

in «Algo Parecido Com Isto, Da Mesma Substância»,
Afrontamento, Porto, 1992

Amor como em casa

Joanna Kustra - Photo.net

© Joanna Kustra 

 

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


 

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