FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

Fiama Hasse Pais Brandão

 

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa 1938 - 2007). O seu primeiro livro, Em Cada Pedra Um Voo Imóvel, é de 1958. Em 1961, com Morfismos, participou na publicação colectiva Poesia 61 (designação dada a um conjunto de cinco «plaquettes» de poesia então publicadas, com a intenção de contribuir para a renovação da linguagem poética). No mesmo ano, foi editada a sua primeira peça de teatro, distinguida com o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores. Além da poesia e do teatro, a obra de Fiama estende-se aos domínios do ensaio, da ficção e também da tradução. Fiama foi distinguida por duas vezes com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1996 e 2000).

 Origem: IPBL poema da semana

Ler Poesias de AMor de Fiamma Hasse Pais Brandão -»

Da analogia do mundo

Cátia Rodrigues, Pecados Escondidos Cátia Rodrigues, Pecados Escondidos

 

 

Três cantores negros
com patas de aves, esguias,
asustadiços sempre;
esquivos, mas fiéis,
não abandonam o Mundo,
presente em grande parte
naquelas árvores.


Três árvores e três cantores?
Ou apenas a ilusão
de que também as árvores
cantam, depois
de tanto amor?
E o mundo está
em três melros, hibiscos?

 

in «As Fábulas», 1ª edição 
Quasi, Vila Nova de Famalicão, Abril de 2002. 

Da Fala

Carlos Godinho, Olhando a Serpente Carlos Godinho, Olhando a Serpente

 

 

Quando ainda não sabia as palavras possíveis
para passar entre voz e silênco dos outros,
tal como entre troncos das florestas mudas,
eu falava com as nuvens que vinham
sobre nós a cantar, de trémulas asas,
e aspergiam os aromas de êxtase. 

 

in «As Fábulas», 1ª edição 
Quasi, Vila Nova de Famalicão, Abril de 2002. 

do amor I e II

 Giedrius Neturiauskas

© Giedrius Neturiauskas 

I

 

A névoa disse à árvore:
tu, cedro,  perdes a tua forma,
se eu te abraço. Disse
o cedro: o Sol ama-me mais,
toma o meu corpo inteiro
no seu corpo e dá-lhe ser, figura.

 

II

 

Ver o cortejo de cedros
e acreditar que é o cenário.
Depois, estender a mão
através da longa perspectiva
oblíqua e poder apalpar,
na pele, que também os cedros
têm corpos húmidos, saliva,
à espera do Amor.  

 

in «As Fábulas», 1ª edição 
Quasi, Vila Nova de Famalicão, Abril de 2002. 

Do amor III e IV

6304936-Anakin Sk.jpg

© Anakin Sk

 

III

 

Se alguém descrevesse
o meu rosto, pálpebra,
a pálpebra, aleta a aleta
do nariz, a curva
de lábio a lábio,
a fronte agora, a face depois
eu poderia desdenhar
da solitária alheada
imagem num espelho.

 

IV

 

Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.

 

Continuar a Ler Poesias de Amor de Fiamma H P Brandão-» 

in «As Fábulas», 1ª edição 
Quasi, Vila Nova de Famalicão, Abril de 2002. 

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