Nota Biográfica
- 1923 - A treze de Setembro, nasce na Fajã de
Baixo (Ilha de São Miguel) Natália de Oliveira Correia. É
filha de Maria José de Oliveira e de Manuel de Medeiros
Correia. A mãe é professora primária e virá a publicar
alguns romances nos anos 40.
- 1929 - O pai emigra para o Brasil. Natália e a
sua irmã Cármen tornam-se alunas da própria mãe.
- 1934 - Vivendo já em Ponta Delgada, Natália inscreve-se
no 1º ano do Liceu Antero de Quental. No entanto, em
Outubro, Maria José pede pede transferência das filhas
para o Liceu D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, cidade onde
passam a residir com a mãe.
- 1935 - A partir de Janeiro frequenta o Liceu D. Filipa
de Lencastre.
- 1938 - Maria José de Oliveira funda um colégio
particular na Rua Moraes Soares, onde passa a morar com as
filhas.
- 1942 - a 14 de Setembro, Natália casa com Álvaro dos
Santos Dias Pereira e fica a residir na Rua Rodrigo da
Fonseca.
- 1944/5 - Jornalista no Rádio Clube Português, Natália
conhece Tomaz Ribas, Mário Soares e assina as listas do
M.U.D. (Movimento de Unidade Democrática). O escultor
Martins Correia (outro amigo de juventude) oferece-lhe o
busto intitulando-o
Poeta.
- 1946 - A 7 de Abril, publica o seu 1º poema («Manhã
Cinzenta») no jornal Portugal, Madeira e Açores, bem
como o romance Anoiteceu no Bairro.
- 1947 - Colabora em diversas publicações e dá à estampa o
seu primeiro livro de poemas - Rio de Nuvens.
- 1949 - Após um casamento efémero com o norte
americano William Creighton Hylen (celebrado em Marrocos),
visita com ele a costa leste dos Estados unidos. Convive em
Lisboa com Isabel Meyrelles e Cruzeiro Seixas. Apoia a
candidatura de Norton de Matos à Presidência da Républica.
- 1950 - Desfeita a relação com William, casa com Alfredo
Machado (17 de Agosto) e passa a morar na Rua Marquès de
Fronteira. Conhece Mário Cesaryni e Eugénio de Andrade.
- 1951 - Publica o livro de viagens Descobri que era
Europeia.
- 1952 - Conhece David Mourão-Ferreira. A mãe de Natália
parte para o Brasil com a filha Cármen, curiosamente no mesmo
navio em que regressará Manuel Correia.
- 1953 - Natália instala-se definitivamente com o marido
na Rua Rodrigues Sampaio, nº 52, 5º andar, onde permanecerá
até à morte.
- 1955 - Publicação de Poemas. Natália convive
assiduamente com David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares
Rodrigues e Mário Cesariny, de quem apresenta Manual de
Prestidigitação em sua casa.
- 1956 - Morte da mãe de Natália no Brasil.
- 1957 - Publica o livro de Poesia Dimensão Encontrada.
- 1958 - Publica Passaporte e Comunicação
(ambos de poesia) e o ensaio Poesia de Arte e Realismo
Poético. Apoia a candidatura do Gen. Humberto Delgado à
Presidência da Républica.
- 1960 - Grava o disco Natália Correia diz poemas de
sua Autoria. Visita à Suécia e a Paris. Amizade com
Fernanda de Castro.
- 1961 - Publicação de Cântico do País Emerso.
- 1962 - Natália conhece Dórdio de Guimarães e participa
no congresso da «Comunitá Europea degli Serittori», em
Itália.
- 1965 - Publicação d' O Homúnculo (texto
dramático).
- 1966 - Natália Correia publica a Antologia de Poesia
Erótica e Satírica, que na altura causa escândalo.
- 1968 - publica Mátria (poesia), a Madona
(romance) e colabora no Diário de Notícias com a série de
crónicas «O Poeta e o Mundo».
- 1969 - Publicação d' O Vinho e a Lira (poesia) e
da pela O Encoberto que foi logo apreendido pela
censura. Ao lado de Mário Soares, integra a C.E.U.D.
(Comissão Eleitoral de Unidade Democrática).
- 1970 - Natália é julgada pela publicação da Antologia
de Poesia Erótica e Satírica, sendo condenada a três
anos de prisão com pena suspensa. Publica ainda As Maçãs
de Orestes (poesia) e antologias de poesia medieval.
- 1971 - Natália cria com Isabel Meyrelles a sociedade que
dará origem ao bar «Botequim». Torna-se também directora da
editora Estúdios de Cor.
- 1972 - publica a Mosca Iluminada (poesia) e
escreve o libretto da cantata D. Garcia, com música
de Joly Braga Santos.
- 1973 - Natália Correia deixa os Estúdios Cor e torna-se
directora da Arcádia. Publica duas antologias (A Mulher
e O Surrealismo na Poesia Portuguesa), além do livro O
Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (poesia).
- 1974 - Natália acolhe o 25 de Abril com entusiasmo.
Publica o ensaio Uma Estátua para Herodes e inicia as
«Crónicas Vagantes» no vespertino A Capital. O
«Botequim» passa a ser frequentado por muitos políticos.
- 1975 - Publicação de Poemas a Rebate.
N'A Capital a comissão de trabalhadores censura
uma das suas crónicas e o director, David
Mourão-Ferreira, demite-se por solidariedade. Durante o
processo Revolucionário o «O Botequim» torna-se um dos
centros do debate político em defesa da democracia
pluralista. Aí se reúnem, por exemplo, Ramalho Eanes, Helena
Roseta, Mota Amaral, Fernando Dacosta e os militares do
«Grupo dos Nove».
- 1976 - Natália Correia Torna-se assessora do
gabinete de David Mourão-Ferreira, então Secretário de
Estado da Cultura, e directora da revista Vida Mundial.
Publica ainda outro livro de Poemas (Epístola aos
Iamitas).
- 1977 - Escreve um livro sobre Mário Cesariny, em
colaboração com Lima de Freitas. A peça O Encoberto,
é estreada no Auditório de Ponta Delgada, numa encenação de
Carlos Avillez.
- 1978 - Publicação de Não Percas a Rosa -
Diário e Algo Mais. Viagens a Inglaterra e aos Estados
Unidos, onde lê poemas e faz conferências.
- 1979 - Desloca-se à ilha de São Miguel para
acompanhar as filmagens de Santo Antero, filme de
Dórdio de Guimarães, e proferir uma palestra sobre Vitorino
Nemésio. Convive com Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis.
É eleita Deputada à Assembleia da República, como
independente, nas listas do P.P.D. Publica ainda o
Dilúvio e a Pomba (poesia).
- 1980 - Natália Correia distingue-se por uma
intensa actividade parlamentar. Acompanha o Presidente da
República, Ramalho Eanes, na visita oficial à Áustria.
- 1981 - É condecorada pelo Presidente Eanes com a Ordem
Militar de Sant' Iago Espada (Grande Oficial). Publica a
peça teatral Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente.
- 1982 - Desloca-se aos Açores e à Alemanha
Federal. Estreia na R.T.P. o programa «Neste Lugar Onde», de
que é autora. Publica a Antologia de Poesia do Período
Barroco e mantêm-se muito activa como deputada.
- 1983 - Continua a participar em vários programas
televisivos e publica três livros: O Armistício
(poesia), A Pécora (teatro) e a Ilha de Circe
(romance).
- 1984 - Convidada pelo Presidente Ramalho Eanes (a
quem se liga cada vez mais), profere o discurso do Dia de
Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (10 de
Junho). É nomeada membro do Conselho de Imprensa e do
Conselho para a Comunicação Social (cargos que ocupará até
1988).
- 1985 - Desloca-se à antiga União Soviética numa
delegação portuguesa, saudando a Perestroika de Gorbatchov.
- 1986 - Escreve o Hino dos Açores. A R.T.P. começa
a emitir a série «Mátria», concebida e apresentada por
Natália Correia.
- 1987 - É de novo eleita deputada à Assembleia da
República mas desta vez como independente nas listas do
P.R.D. (próximo de Ramalho Eanes). Publica Onde Está o
Menino Jesus? (ficção). A 8 de Março (dia Internacional
da Mulher), o Centro Cultural Emmerico Nunes organiza em
Sines uma exposição sobre a obra de Natália Correia.
- 1988 - representação da peça Erros Meus, Má
Fortuna, Amor Ardente pelo Teatro Experimental de
Cascais (enc. de Carlos Avillez). Publicação do ensaio
Somos Todos Hispanos.
- 1989 - A 17 de Fevereiro, morre Alfredo Machado,
marido de Natália Correia . Deslocações à ilha de São Miguel
(integrada na Presidência Aberta de Mário Soares), a
Espanha, a França e ao Brasil, onde é homenageada. O Grupo
de teatro «A Comuna» estreia em Outubro a sua peça de teatro
A Pécora.
- 1990 - Publica Sonetos Românticos (poesia).
A 17 de Março casa com Dórdio Guimarães, amigo de
sempre. Viaja pela Galiza, onde profere diversas
conferências.
- 1991 - Natália Correia recebe o Grande Prémio da
Poesia A.P.E. pela publicação de Sonetos Românticos,
sendo condecorada pelo Presidente Mário Soares com a Ordem
da Liberdade (Grande Oficial). Efectua deslocações aos
Açores, a Macau e a Bruxelas, onde participa na Europália
dedicada a Portugal. deixa de ser deputada à Assembleia da
República.
- 1992 - Publica As Núpcias (romance).
Desloca-se de novo aos Açores para dar conferências.
Juntamente com outros escritores, cria a Frente Nacional
para a Defesa da Cultura.
- 1993 - Em Fevereiro efectua a sua última viagem -
neste caso a Marrocos (Rabat), onde participa num Encontro
Luso-Marroquino de Cooperação. Depois de ter estado na
noite de 15 de Março no «Botequim», acompanhada de Dórdio de
Guimarães, Natália Correia morre na sua casa de Lisboa na
madrugada de 16 de Março. Nesse mesmo ano o Círculo de
Leitores publica a sua obra poética completa em dois volumes
(O Sol nas Noites e o Luar nos Dias).
- 1994 - O Círculo de Leitores publica o volume
Retrato de Natália Correia.
Nota Biográfica transcrita na
íntegra de
«Antologia Poética» - Organização de
Fernando Pinto do Amaral
Publicações Dom Quixote. Lda., 2002
©
Herdeiros de Natália Correia
/Publicações Dom Quixote 2002
©
2002, Fernando Pinto do
Amaral
(Prefácio e Nota
Biográfica) |