
Edvard Munch
1.
não tenho estado nada bem, um retrocesso
uma maneira de vencer, de ter as mãos sem penas
nenhuma imagem invulgar, apenas o bater
das pálpebras, elas agarram-se
viscosas ao sentido,
e nenhum ar oscila, outras vezes
é o silêncio das ruas, a água
sobre os seixos, líquida,
o silêncio entre as bocas
e as roucas paredes; receio,
sem pavor, o simples
sofrimento.
tenho errado o que faço, a garatuja, os passos;
lembrado certas horas, uns lugares
depois outros,
o sopro de algumas casas, mas também
os poços da lepra,
as estradas cortadas, as naus
inexistentes.
in «Poemas», As Moradas 1 a 3,
Primeiras Moradas, pág. 275





