um moço, em Olinda, amava a palavra «ter»

Jim Warren, Elusive Rainbow 

 

 

um moço, em Olinda, amava a palavra «ter»;
«eu acho bonito, ter». Como não tinha nada,
era livre de dar às palavras;


nalgumas não-bocas a palavra «ser»
dá vontade de morrer, já disseram.
Só essa


é a força formal das palavras.
esta não é a estória de um encontro.
foi a laboriosa a tarde, no ruído


de passos e gritos, e o som
de exactos motores. através dos dedos escorre
a relva, como a ignorância de um sonho;


o teu corpo deitado tem
um sabor raro a coisas certas
vê: a terra arada e cheia de


guerra, uma coisa eu odeio mesmo
é a guerra, falou:
escrever deus ensina mas voz

homem só inventou.
 

 

in «Poemas», Cartão-Postal

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